domingo, 14 de dezembro de 2014
Para Sempre ao Seu Lado
Cedo ou tarde
A gente vai se encontrar,
Tenho certeza, numa bem melhor.
Sei que quando canto você pode me escutar.
Cedo ou Tarde - Nx Zero
5 Dias mais tarde
30 de Dezembro.
Passei o Natal com mamãe, Robert, Brandon e Camila. Não foi tão caótico como pensei que seria, foi calmo e amoroso. Fomos uma família naquela noite. Niall me ligou pedindo que voltasse para Londres e passasse o ano junto com ele e sua família, eu e minha família. Então aqui estamos nós no meu carro, voltando para minha casa.
Mamãe ainda não conseguia acreditar que Camila se casaria. Papai sempre disse que eu seria a primeira a me casar, que Camila só encontraria o amor quando estivesse velha e rabugenta. Ela sempre odiava quando ele dizia isso, e eu ria.
Depois de algumas horas, deixei Camila na casa de Brandon e levei minha mãe e Robert para minha casa. A árvore que eu pretendia montar ainda estava no chão, com os enfeites à espera.
-Não montou árvore este ano, querida?
"Para que montar árvore se fui para sua casa, mãe?" foi tudo o que respondi. Ajeitei-os no quarto de hóspedes e fui correndo ligar para Niall. Antes que pudesse discar o primeiro número, seu nome apareceu na tela.
-Você leu meu pensamento, Horan?
-Hm... Telepadia, han? Estamos evoluindo.
Dei uma risada alta que ecoou pelo quarto silencioso. Passamos a tarde jogando conversa fora, ora pelo telefone, ora por mensagens. E então fui até a cozinha com mamãe para fazer algo para levar pra festa da passagem de ano.
Estávamos em silêncio, fazendo o pudim quando ela virou para mim, me encarando. Fiquei incomodada por um tempo, então a olhei de volta. Seus olhos verdes estavam brilhando, e sua boca tinha um sorriso tímido e contente.
- O que foi mãe?
Ela se aproximou e me abraçou. Fechei os olhos, aproveitando o memento. Eu e minha mãe não nos abraçávamos desde que papai morreu. Nem mesmo no Natal. Nunca aceitei o fato dela ter se casado com Robert, e nunca pensei que aceitaria. Ela me virou para si e tomou meu rosto em suas mãos, me olhando com a ternura que só uma mãe olha.
-Eu sei que esse ano ainda não acabou, mas eu queria te parabenizar. Eu sei que você acha que me recuperei muito rápido da morte do seu pai, me casando um ano e meio depois. Mas até hoje eu sofro com isso.
-Onde você...
-Deixe-me terminar de falar, Mabel. Você é forte minha filha. Sempre foi. Eu achei, realmente, que Justin era o homem de sua vida. Bem, talvez seja. Mas você se recuperou, talvez não totalmente não me interprete mal, e encontrou alguém. Sei que é estranho, mas eu gostaria de parabenizá-la por isso.
Eu a abracei ela chorou. Minha mãe acha que eu não sabia que ela ainda chorava por meu pai, mas eu sempre soube. E esse foi o fato real de não aceitar Robert, não por tantos anos. Sempre quis que ela sofresse seu luto, e não fugisse dele. Quando nos separamos, permanecemos caladas com nossos afazeres, como se nada tivesse acontecido.
***
- Que esse seja um bom ano para nós!
Estava envolta nos braços de Niall, com todos se cumprimentando e o barulho de fogos não muito longe. Uma taça de champanhe estava em minha mão, que estavam ao redor do pescoço dele. Minha mãe estava feliz com Robert. Camila com Brandon. E eu com Niall.
2014 foi um longo ano pra mim. Um ano com muitas perdas, e alguns ganhos. Um ano em que eu perdi parte de minha alma, e recuperei uma parte do meu coração que eu nem sabia que estava ali. Não me arrependo de nada. Mas não vou reclamar se Deus me der um 2015 melhor.
-Será! - Tive que gritar para que ele me ouvisse. - O melhor de todos!
3 Meses depois
- Eu to começando a achar que passar tanto tempo longe tá fazendo com que viremos bichos.
Soltei uma risada alta enquanto ele rasgava meu vestido, muito caro só pra dizer. Minhas mãos estavam certeiras em sua calça.
- Você fala como se algum dia nós tivéssemos transados como dois seres humanos normais.
Me perdi nas palavras quando ele deu um chupão em meu pescoço. A mais pura verdade: nos tornávamos dois animais quando estávamos transando. Cintia, minha vizinha, que o diga. Perdi a conta de quantas vezes ela foi na minha casa, pedindo que eu lembrasse de suas duas filhas pequenas. Posso dizer o mesmo sobre Max, vizinho dele. Culpa minha, admito que não sou mestre em dominar a arte do alto controle como Niall.
Ele me prensou na parede e pude sentir sua ereção subir entre minhas pernas. Minha lingerie vermelha fez com que ele ficasse parado por algum tempo observando meu corpo, enquanto eu me contorcia de prazer em seus braços. Sua cor favorita. Tão rápido quanto parou, voltou a beijar meu corpo. Deitamos no chão da sala mesmo, sem preocupação alguma.
Tirou minha calcinha então se enfiou lá. Gritei de prazer, e ele me beijou. Senti como se nossas forças vitais estivessem se misturando, os olhos grudados um no outro. Uma ferocidade nos seus que eu não me lembrava de ter visto, nunca.
Passei por cima dele em uma fração de segundos, rebolando do jeito que eu sabia que ele gostava. Em sua testa estavam alguns pingos de suor, e não duvido que eu estivesse muito diferente. Era um dia quente de primavera e meu corpo ardia de calor, mas a cada toque em meu corpo era como se eu estivesse em chamas.
Quando terminamos na sala fomos pro quarto. E então o banheiro, a cozinha, a piscina...
JUSTIN POV's
Havia passado a tarde com Ju no lago. O avião de Niall chegou a Londres hoje pela manhã, e não queria ver as cenas que seguiriam. Da vez que vi, não gostei.
Dio vinha correndo em minha direção e me assustei quando parou do meu lado, afobada. Não era do feitio dela andar por aí correndo atrás de ninguém.
- Ei! O que houve, mulher?
Meus olhos estavam arregalados, sabia disso, e ela riu quando viu meu rosto. Não que ela pudesse rir de mim, estava totalmente sem fôlego. Deus ficava sem fôlego?
-Está acontecendo.
Fiquei olhando para ela, esperando por uma explicação. Acho que às vezes ela se esquece de que só ela é Deus. Depois de tomar ar novamente, ela indicou que caminhássemos um pouco. Seguimos calados em uma direção que eu conhecia bem, havia feito o mesmo caminha várias vezes nesses meses. Nos sentamos na varanda da misteriosa porta e eu sentia o medo crescer em mim.
- Não precisa ficar com medo. - Ela tomou minhas mãos nas suas e eu me senti ainda mais nervoso. - Eu sei que você tem perguntado por aí que lugar é esse, desde que me viu com aquele menino à alguns meses. Você tem alguma noção?
Fiz que não com a cabeça e ela sorriu, virando para frente. Seu olhar se perdeu em um arbusto de flores amarelas, como se estivesse vendo alguma cena.
- Você vai ser muito feliz.
- Dio, do que você está falando?
- Essa porta vai te levar de volta ao mundo, Justin. O mundo dos vivos. Sua missão era fazer com que Niall e Mabel ficassem juntos, e você conseguiu. Definitivamente. Você vai voltar como filho deles.
Oi?! Filho deles? Isso não é possível.
- Não precisa ter medo. Você vai se lembrar enquanto for bebê, como todos os outros se lembram. Mas quando você disser sua primeira palavra, se esquecerá de tudo. Você vai ser feliz, e terá uma relação muito bonita com seus pais.
Isso não é possível. Não sei se quero voltar. Quer dizer, gostei tanto daqui! Ju vinha se aproximando de nós quando Dio a deu seu lugar.
- Não precisa ficar assustado. Vou mandar Ju com você. Ela já sofreu demais e James não tem salvação. Vai morrer hoje à noite sem direito a julgamento.
-Julgamento?
Esperava que Dio me respondeu, mas então Ju começou a falar.
- As pessoas ruins passam por um julgamento, para ver se ficarão aqui ou lá... Ele estuprou uma menina ontem.
Ela abaixou os olhos e pude ver uma lágrima. Abracei-a, mais para confortar a mim mesmo do que a ela. Como será que ela deve se sentir por amar um monstro como ele?
- Eu achei que nós pudéssemos salvá-lo, mas não tem jeito. Ele não irá para o julgamento, vai direto para o purgatório.
Dio nos deu um beijo na testa e então sorriu. Mal posso acreditar nisso tudo. Eu pensei em dizer a ela que não queria ir, mas no momento em que ela disse que Ju viria senti que era meu dever. Não podia permitir que ela fosse sozinha.
- Agora vocês precisam ir. Antes que o tempo passe.
Levantamos e dei a ela um longo abraço. Sentiria falta dela, com certeza. Dei a mão para Ju e ela a apertou com força. Passamos pela porta juntos, e então tudo ficou preto.
MABEL POV's
- Talvez você tenha razão, não sei se deveríamos ficar tanto tempo afastados. - Ele me olhou confuso. - Só to dizendo que não é normal quebrar uma mesa de madeira.
Sua risada ecoou pelo quarto, e eu me senti preenchida de alegria com aquela risada. Eu já havia terminado com minha "turnê" e voltaria a trabalhar em algumas semanas, não deixando minha carreira de modelo de lado. Niall, por outro lado, ainda teria alguns meses de turnê.
- Camila marcou a data do casamento. No final do ano.
- Então parece que dessa vez vai ser pra valer, não?
- Sim. Ela marcou para primeiro de dezembro. Disse que queria ser uma mulher casada antes do ano virar, para começar bem.
Passamos o resto da noite conversando, até que o sono nos alcançou e adormecemos um nos braços do outro.
Quando a manhã chegou no horizonte, me levantei rapidamente e tomei um banho, desci e fiz um café da manhã. Não demorou muito até que ele descesse com os cabelos molhados e o rosto limpo. Seu corpo estava coberto apenas pelo short jeans. Visão abençoada a essa hora da manhã. Obrigada Jesus.
O dia não passou rápido, mas também não foi de vagar. O importante é que nos divertimos bastante, até que ele voltou para casa. Eu sei como é difícil pra ele ficar sem ver a mãe, e ver que ele veio ficar comigo me faz sentir... importante. Eu estava assistindo TV quando o telefone tocou e o nome de Camila apareceu na tela.
- Amanhã é domingo.
- Oi pra você também... O que tem?
- Depois é segunda.
- E...
- E você vai comigo escolher a casa de festas.
- Tá, pode ser.
- Tá. Eu vou fazer um brigadeiro. Mas antes abre a porta pra mim?
Dei um sorriso com seu pedido e corri até a porta. Ela estava com o telefone em uma mão e sacolas na outra. Demos um longo abraço e ela entrou. É difícil de admitir, mas sinto falta dela. Fico muito sozinha nessa casa.
Quando nos sentamos para comer o brigadeiro ela me pediu para pegar meu notebook. Mostrou-me todas as casas que iríamos visitar, uma mais linda que a outra.
A segunda-feira chegou e eu quase caí para trás cada vez que as mulheres diziam o preço da festa. Quando já estávamos no carro finalmente perguntei a ela como pretendia pagar o casamento.
- Estava esperando você perguntar.
Ela bateu palminhas enquanto dava ré no carro. Disse que a algumas semanas Brandon a levou para conhecer sua família e descobriu que ele era de uma família muito nobre da Holanda, que estava morando em Londres por algum tempo. " Ele disse que queria que eu me apaixonasse por ele, e não pelo seu dinheiro. Dá pra acreditar?". Dei uma risada com a sorte de Camila. Ela sempre quis vida fácil e quando finalmente tinha decidido correr atrás, encontrou um homem que amava e que era rico.
- E por que raios ele estava andando de ônibus Camila?
- Ele é daqueles homens que não admira o dinheiro. Sabe como é, nunca foi pobre.
Agora estava mais fácil de entender o carro e as roupas que estava usando. Ela disse que sempre brigava com ele porque chegava com coisas extremamente caras, e ela dizia que eles precisavam de dinheiro para viverem juntos. Falando assim parece que minha irmã só se importa com dinheiro, mas ela é assim. No fundo, por trás de toda a pompa, ela é como eu. Só quer um homem que a ame.
9 meses depois
Minha barriga pesava e meus peitos doíam. Nunca pensei que fosse tão difícil aguentar vida dentro de você. Mas não sei o que mais me incomodava: a barriga ou o vestido. Camila estava de pé com Brandon no altar e eu sentada ao lado de Niall.
Estava com 3 meses quando descobri a gravidez. Mamãe chorou muito por eu não estar casada, mas chorou ainda mais quando eu contei que eram gêmeos. Um menino e uma menina. Escolher o nome do menino foi a coisa mais simples do mundo. Justin, é claro. Já a menina causou inúmeras brigas. Liane, Giulya, Jane, Hanna, Krista, até mesmo o nome de Filomena queriam dar à pobrezinha. Depois de algumas brigas e telefones deligados na cara um dos outros, o nome de nossa princesa seria Sofia, em homenagem à minha avó.
Meia hora depois, os pombinhos estavam casados perante a igreja. A festa estava apenas no começo quando fiz xixi nas calças. Era isso o que eu pensava, até alguém gritar " A bolsa estourou!" e perceber que não era xixi. Foi uma agitação só. Camila saiu correndo comigo e mamãe, não deixando que Niall entrasse no carro. Pobrezinho, pegou o primeiro carro e dirigiu como um louco até o hospital.
Lá estava ele, vestido com terno e gravata segurando minha mão. Eu o apertava como se ele pudesse aliviar minha dor. Não foi fácil dar a luz à gêmeos, mas depois de 20 minutos lá estavam meus bebês. Sofia tinha grandes olhos castanhos, como os meus. Justin carregava no rosto o azul do pai.
Foi estranho algumas horas depois receber minha irmã vestida de noiva, meu cunhado desesperado, e meia festa para ver os mais novos membros. Mamãe chorou muito e eu apenas sorria.
Mas a parte que mais me fez sentir viva foi olhar para Niall no canto da sala. Foi como sentir sua alma através de seus olhos, que continham lágrimas enquanto segurava Sofia. Seu sorriso se estendia por todo o rosto, e quando a pequena adormeceu em seus braços, ele caminhou até mim, entregando-me a menininha que se aninhou em meus braços como um gatinho.
" Às vezes é difícil aguentar a jornada. Mas a vida é assim, ninguém disse que seria fácil. Não veio com manual de instruções e não é como um curso para conseguir licença de motorista.
Mas o amor e o ódio é o que os faz humanos. A dor é o que os faz invencíveis. Se esses sentimentos não existissem, seriam tolos. Eu mesma criei o mal para não ser consumida pelo poder.
Quando tudo estiver difícil e parecer que não há chances, lembre-se de que eu nunca colocaria na sua frente algo que não pudesse suportar. Porque da mesma forma que Justin se surpreendeu ao ver que eu era uma mulher, você se surpreenderá com o destino."
FIM
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