quarta-feira, 8 de abril de 2015

Amnezie

When oblivion is calling out your name
You always take it further than I ever can









Capítulo 11





 Amanda chegou em casa exausta e extasiada. Tinha muita informação correndo toda a sua cabeça, sorvete, hambúrguer, cinema, pipoca... Estava simplesmente super canada. Seu cérebro tinha trabalhado de mais. Ficava como seria se as pessoas do tempo em que realmente era viva tivessem acesso a tantas coisas maravilhosas, como seria muito melhor e muito mais prático. Não conseguia ver tudo o que havia de novo no mundo, mas boa parte do que passou no filme era o suficiente para dizer como agora as pessoas tinham praticidade pra tudo, ou pelo menos na maioria das coisas.
- Oi filha.
- Oi mamãe.
  A mulher estava com um notebook sobre a mesa, com os olhos praticamente fazendo parte da tela. A menina tentou fazer algo que jamais imaginaria fazer e que, se seus pais vissem, ficaria sem jantar por uma semana. Se jogou no sofá, pegou o controle da TV que estava no braço do sofá, jogou os pés em cima da mesinha de centro e ligou a televisão. Isso foi uma das primeiras coisas que ela aprendeu, como ligar a TV. Zapeou os canais por um tempo, até achar um filme que lhe interessasse. 

                                                                               ***
  O carro estacionou em frente a casa amarela, agora que o sol deixava o céu e a noite começava a cair. O dia tinha sido bem longo, e os dois amigos estavam bem cansados.
- Então, a gente viaja no final de semana?
- Ele pediu para gente ir assim que desse, o mais rápido possível.
- Sábado a gente parte então, antes disso não dá.
 Os dois se despediram e Marty abriu a porta do carro e já ia sair, quando pensou melhor e sentou-se novamente. Tristan olhou para a menina confuso, sem entender.
- Você e a Amanda... O que rolou?
  Tristan corou na hora. Na verdade, tudo era um borrão na sua mente. Nunca gostou muito de beber, mas aquele dia simplesmente não conseguia ficar sóbrio, já que a bebida descia perfeitamente, praticamente curando-o por dentro. Bem, naquele instante, agora estava com muita vergonha.
- Eu...
-Você não lembra, né?
  Ele apenas abaixou a cabeça. Tristan podia ter muitos defeitos, mas era homem o bastante para não conseguir fazer mal a nenhuma menina, e tudo o que menos queira era machucar Ruby. Jamais se perdoaria se fizesse isso, a menina foi seu primeiro amor, sua primeira mulher.
- Bem, fica calmo. Depois eu tiro essa informação dela. Aposto que não foi nada de mais, você saiu de lá com uma cara horrível.
  Ele até deu uma risada. O mais importante era que nada tivesse acontecido, eles não tinham transado e provavelmente, nem mesmo se tocado.
  Marty desceu do carro e mandou um tchauzinho pra Tris, que sumiu no final da rua.

  Continua...
 Capítulo curtinho, é que eu to sem ideias. Bem, continua...

domingo, 5 de abril de 2015

Amnezie

But oblivion is calling out your name
You always take it further than I ever can





Capítulo 10




  
-Eu tenho uma lista de números de alguns casos parecidos com o nosso.
  Tristan e Marty estavam sentados na biblioteca à procura de como trazer Ruby de volta. A luz branca do local reluzia pela mesa dos dois, fazendo com que a menina sentisse uma pontada de dor de cabeça. 
-Então podemos fazer assim, dividimos a lista e procuramos os endereços dessas pessoas na internet. Quem são, onde moram e tal. Acho melhor aparecermos sem ligar.
- Não sei Tris, acho melhor ligar e tentar conversar com essas pessoas. É uma história muito complicada, não acho que só aparecer e dizer " Oi, meu nome é Marty e eu quero trazer o seu passado de volta,, já que minha amiga está com o mesmo problema que você teve e que provavelmente acabou com a sua vida."
  Tristan ponderou por um segundo. Marty estava sendo um pouco exagerada, mas estava certa. Logo depois que concordou com a menina começaram a dividir a lista e a ligar para as pessoas.

                                                               ***

  JJ empurrou a grande porta de vidro e entrou no local. O silêncio era absoluto e as duas meninas precisavam exatamente disso na provável longa tarde que teriam. BIBLIOTECA MUNICIPAL STEVE PARK estava em um letreiro bronze enorme no centro do lugar. Vários livros estavam acoplados no andar de cima, e outra desses livros e algumas várias revistas no andar de baixo. No saguão, uma bibliotecária baixinha de óculos pendurado no nariz estava atrás de um balcão de madeira. A biblioteca era velha e bem preservada. 
- Boa tarde. Será que você pode me ajudar ?
- Claro docinho, pra isso que estou aqui.
- Vocês tem revistas ou documentos bem velhos? Tipo do século XIX?
- Bem poucos, mas temos. Temos alguns britânicos, americanos, brasileiros e bem poucos espanhóis.
- Espanhóis, é desse mesmo que eu preciso.
- Documentos mesmo nós não temos muitos, mas vários folhetins. Uma aluna bem antiga daqui da cidade tinha algum parentesco com a família real dessa época. Ela trouxe alguns documentos da família e tudo mais.
- Parentesco com a família real... Você se lembraria do sobrenome dessa moça?
- Ah minha filha, já tem tanto tempo... Sabe como é, a idade vai chegando e as lembranças dão tchau à nossa cabeça.
- Tudo bem, a senhora ajudou bastante. Se lembrar de alguma coisa...
  A velha moça deu um sorriso e as meninas foram em busca da princesa Amanda. Seria uma procura loga e cansativa, já que é uma história bem antiga. Mas elas encontrariam as informações que precisavam.

                                                                   ***

- Partiu cinema?
- O que?
  Connor deu uma leve risada da cara que a menina fez. Embora aquele fosse o corpo da amiga, as caras eram totalmente diferente das que costumava fazer. Os cabelos da menina esvoaçavam no vento que entrava pela janela aberta do carro. Os amigos estavam cumprindo com suas partes, e ele... Bem, também estava. 
  Tentou explicar o que era cinema, mas a menina ficou confusa e ele achou melhor mostrar o que era. A fila era relativamente pequena, já que era dia de semana e de tarde. Compraram a pipoca e entraram na sala se sentaram e Amanda estava ansiosa. Aquele lugar era totalmente diferente de todos onde já havia estado; na verdade, tudo aquilo era muito novo e diferente para ela. Quando o filme começou, foi possível ver uma luz nos olhos da garota. Soltou até um gritinho baixo , que apenas Con conseguiu ouvir e soltou uma risadinha pela reação da garota.
 Ela, no entanto, só conseguia se concentrar em toda a magia que a tela proporcionava a uma pessoa do século XIX. Era simplesmente impressionante em como o mundo havia evoluído tanto. No tempo em que vivia, tudo o que queriam era que os cavalos aguentassem mais tempo de viagem. Os que sonhavam mais alto, como seu tio, eram tidos como malucos. 
                                                              ***

Desligou o telefone e olhou ara o amigo, que fazia o mesmo. Bufou irritada. A bunda já estava quadrada e a boca cansada de falar tanto. Desligaram tantas vezes sem dizer nada que ela tinha pena de seus ouvidos.
- Quantos da sua lista?
- Uma, e da sua?
- Um. Eric.
  Os dois massagearam as têmporas, cansados. Já era passado das 4 horas da tarde e ainda estavam ali. Tristan se levantou e foi até a cantina, tentar comprar um café para os dois. Marty ficou lá, olhando para a lista. Tantos nomes e nem todos conseguiram trazer as pessoas de volta e antes que conseguissem contar o que aconteceu depois, choravam e não conseguiam mais falar. Estava desesperada por antecipação, com medo de Ruby não voltar. Eric era o nome de sua salvação. Morava na cidade vizinha, 3 horas de viagem e muito café. Ele conseguiu conversar com a menina até o final e prometeu ajudar em toda a situação que o grupo de adolescentes havia se metido. 
  Tristan voltou com um grande copo de capuccino e a menina agradeceu aos céus. Juntaram todas as coisas e fora para o carro de Marty, já que Connor e Tris dividiam o mesmo carro e o menino tinha saido com o deles. Contariam tudo o que sabiam na volta pra casa dos meninos.
-Você primeiro.
-Eric. Esse é o nome da nossa salvação.

Continua...
 Gente!! Desculpa pela demora, mas eu ganhei um not e acho que agora vai ser mais fácil. Eu também to estudando muuuuito e como não sei o que vocês pensam sobre a fic fica mais complicado pra escever. Bem, é isso ai, até a próxima!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Amnezie

Are you going to age with grace?
Are you going to leave a path to trace?





Capítulo 9












  O carro parou em frente ao colégio e Amanda deu um longo suspiro. Estava morrendo de medi de não conseguir se comportar como Ruby e alguém descobrir. No entanto, os olhos corriam pelo exterior da escola abarrotada de alunos andando por todos os lados.
- Filha?
- Hum?
O olhar ainda estava sobre a escola quando a mãe riu, fazendo a menina voltar a realidade. Alguns carros buzinavam pedindo para que as mulheres se resolverem. Amanda sorriu, dando um beijo na bochecha da "mãe" e desceu do carro. Elena saiu com o carro rapidamente, cessando as reclamações de outros motoristas.
- Bom dia!
  Marty estava com as outras meninas na porta do colégio. JJ estava com um sorriso escondido no rosto, mas Amanda preferiu não comentar.
- Tá se saindo bem.
  Sentiu-se espionada. Será possível Marty achar que ela estava tentando roubar o lugar de Ruby? Queria tanto sair dessa confusão quanto as outras meninas.
- Marty, você tá tentando dizer alguma coisa?
  A menina ficou calada por um tempo, mas fez que não com a cabeça. Logo começaram a andar para dentro da escola, repassando como seria o dia. A primeira aula de Ruby era de História, onde Connor também estava. Ele ajudaria Amanda a se comportar como Ruby, embora estivesse indo bem nisso. JJ e Mariana passariam o resto da tarde após as aulas na biblioteca atrás de livros ou revista sobre a Espanha. E Marty e Tristan tinham uma longa lista de números para quem ligar. Número de pessoas que passaram pelo mesmo que eles.
 O sinal tocou e Mariana levou Amanda até a sala de história que ficava ao lado da de inglês, onde teria aula. Connor havia guardado seus lugares no fim da classe, um ao lado do outro. Amanda não disse para ninguém porque acho que seria falta de respeito, mas achava Connor mais bonito que Tristan. Se fosse em sua "época" levaria uma bronca de seus pais por ter esse tipo de pensamentos. Que bom que não era seu tempo. Deu uma risadinha com essa ideia e pode ver Connor concentrado em um papel. Sentou-se no lugar reservado e então o rapaz jogou tudo na mesa dela.
- O que é isso?
- Seu dever de casa. Certo, durante essa aula a Ruby fala de mais. Você deve se referir ao professor com Senhor Curman e quando for falar levantar a mão, não sair falando direto. Geralmente, o careca pergunta se a Ruby concorda, então você pensa e diz se sim ou não. Fora isso, abra a boca o menos possível.
- Ok... Tá tudo bem ?
    Olhou pra menina por um tempo antes de fazer que sim com a cabeça. A verdade é que sonhou na noite anterior que Ruby estava presa e pedia sua ajuda desesperadamente, então uma pessoa exatamente igual a menina vinha se aproximando e dava risadas diabólicas antes de se aproximar dele. Sua mente preferiu não ficar no lugar e acordou no segundo seguinte suando frio. 
    O professor entrou e Amanda praticamente ignorou sua educação ao rir dele. A turma toda olhou para a menina, querendo entender o motivo do risinho baixo e nada discreto dela. Era um homem alto, gordinho e careca com um nariz do tamanho de sua cidade natal. O Senhor Curman perguntou a ela de forma terna se tudo estava bem, e foi então que ela assentiu e sentiu-se mal por seu ato. 
- Muito bem alunos, hoje vamos continuar o assunto realeza. Enquanto eu começo a falar, Ruby poderia recolher o dever de casa? 
  Amanda demorou um pouco para perceber que ele falava com ela, ou a outra ela. De qualquer maneira, se levantou e o professor começou de onde havia parado. Falava de como as pessoas daquele tempo se vestiam e pensavam, como andavam. Amanda se sentou e começou a prestar atenção em tudo o que o homem falava, e então ele começou a falar das corrupções e de como muitas vezes eram injusto. De como os reis mimavam suas filhas e filhos e muitas vezes essas crianças cresciam e ficavam prepotentes. Falou de vários lugares onde a realeza era abusiva e maldosa. De alguns condes e condessas que faziam maldades pelo simples prazer de ver as pessoas sofrerem.
- Pois não Ruby?
  Sem que Connor percebesse, a menina havia levantado a mão. Estava com uma cara de quem voaria no pescoço do professor a qualquer instante. Con tentou chamar pela menina, mas ela começou a falar e não havia como despistar Senhor Curman a essa altura.
- O senhor não tem vergonha de falar dessa forma?
  O homem estava com uma interrogação na testa, figuradamente falando. Seu olhar mostrava que não podia acreditar no que a menina havia acabado de perguntar. Sua melhor aluna o chamando de sem vergonha.
- Por que pergunta isso? Você mesma estava concordando na semana passada que eles muitas vezes eram maus com as pessoas.
- Muitas vezes não é sempre. Os americanos adoram falar do que nunca viveram. Só falam da realeza dessa forma porque nunca conviveram com ela, se acham os melhores e ficam falando dos outros como se fossem inferiores.
  Toda a turma estava olhando para a menina, sem acreditar que a melhor aluna da maioria das aulas estava praticamente xingando o professor. Connor queria levar a menina pra longe dali. Pensou até em chutar sua perna e levá-la até a enfermaria, mas isso apenas a faria ficar com raiva e levaria outra advertência. Tinha muitas e isso com certeza prejudicaria na faculdade.
-Ruby, está tudo bem?
- Na Espanha, em 1850, havia uma rainha chamada Denize DeLafro Zapeta Rodriguez e sua filha, Amanda DeLafro Zapeta Rodriguez. Elas saiam todas as manhãs e distribuíam pães para todos os que encontravam na rua, sendo ricos ou pobres. Havia um orfanato no centro de Altemar, onde elas moravam, e sempre que podia Denize levava a pequena Amanda para brincar com as crianças e passar um tempo com a dona do orfanato, que era amiga da rainha. A princesa cresceu e quando tinha 16 anos se apaixonou perdidamente por um plebeu da cidade vizinha, onde passava um tempo para ajudar os enfermos com o sacerdote da cidade.
  Todos olhavam para a menina, que tinha lágrimas nos olhos. Seu olhar estava sobre Connor, tentando dizer a ele que havia se lembrado de tudo. O professor estava sentado, ouvindo tudo o que a aluna estava contando.
- O problema é que naquela época a tia da menina havia espalhado um boato sobre a rainha e a princesa, porque sempre teve inveja de sua irmã ter sido a mulher do rei e não ela. Por conta desses boatos horrendos, a menina teve que fugir e com a mãe e deixar o amor de sua vida pra trás. Quando ela voltou já tinha 22 anos, tinha ido escondida com a mãe para o enterro do pai que morreu de uma peste que assombrava o local. A primeira coisa que ela fez na noite, foi ir atrás do homem por quem havia se apaixonado. Quando chegou onde ele morava olhou pela janela, o homem que havia jurado amor eterno a ela estava dançando abraçado com a uma mulher com uma barriga enorme. Ela estava grávida dele, eram marido e mulher. Ela chorava muito e quando ia fugir dali, o melhor amigo do rapaz que também era seu amigo enfiou uma faca na barriga da menina. Havia uma recompensa para quem conseguisse capturar a rainha ou a princesa, vivas ou mortas.
  A menina chorava e podia jurar que muitos também estavam chorando. O professor observava a história atento a cada palavra da aluna.
- O que eu quero dizer com isso, professor, é que não importa se as pessoas são da realeza ou não. Caso uma pessoa tenha um mau caráter vai fazer coisas ruins a quem tiver que fazer.
- Por isso você é minha aluna favorita.
  


                                                                          ***

- Você acha que eles estão se saindo bem?
  Marty pensou por um segundo na pergunta de Mariana. Tinha quase certeza que sim, já que Amanda estava disfarçando tão bem. A verdade é que tinha medo da menina se apegar a ter a vida de volta e não querer trazer Ruby de volta.
- Acho que sim.  
  Alguns minutos depois o sinal bateu e todos se encontraram no pátio do colégio. Amanda ainda tinha o rosto meio inchado pelas lágrimas que havia derramado à alguns instantes, o que fez Marty se preocupar um pouco.
- Vocês não vão acreditar.
  Connor ainda estava incrédulo com tudo o que havia acontecido na aula de história. Começaram a contar tudo, desde o início da aula. Quando a história chegou ao fim, todos estavam de boca aberta. Amanda ainda tentou explicar como se lembrou de tudo, mas ela mesma não entendi. Disse aos amigos que apenas se indignou com o que o professor estava falando e começou a falar e falar, se surpreendendo a cada palavra que saia de sua boca.
- É uma história e tanto.
  JJ estava assustada com aquilo. Isso ajudaria nas pequisas sobre quem era Amanda. Embora agora soubessem quem ela era, ainda tinham dúvidas. Além disso, JJ tinha a vontade de saber o que houve com a rainha, a tia e o namorado de Amanda. 
  A verdade é que quanto mais tinham respostas, mais perguntas apareciam.
  

Continua...
 Galera do meu coração!! Espero que estejam gostando da fanfic, e não se esqueçam de mandar pra todos as suas amigas. 
  Queria pedir também pra vocês darem uma olhada no trailer e dizer o que acham dele. O link é :

Sigam @FanficHelps para divulgação de fanfic e avisamos quando tem atualização. Também fazemos capa e trailer. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Amnezie

It's not about control
But I turn back when I see where you go


Capítulo 8







  No geral, o domingo foi horrível para todos. Marty sentia uma cólica horrível, daquelas ue sair da cama para ir ao banheiro é uma tortura. Tristan estava sem a mínima coragem de ligar para Amanda e pedir desculpas pelos acontecimentos da noite anterior, além é claro, da ressaca horrível que persistia em seu corpo. Não importava o que Connor fizesse, se sentia horrível em todos os sentidos. Mariana teve outra terrível briga com os pais, e o irmão ligou para avisar que vai demorar mais do que o esperado. JJ tinha prova de biologia no dia seguinte e não sabia absolutamente nada. E por fim, Amanda nem sequer tinha começado o dia. Já era passado das duas da tarde e a menina ainda dormia feito uma pedra.
  Além do dia em si estar uma bosta, eles não sentiam a mínima vontade de ligar uns para os outros. Precisavam de um tempo de toda aquela realidade frustrante e irreal. A única coisa que os animava um pouco é que segunda era o dia seguinte, e nesse dia poderiam tentar resolver os problemas. Cada um tinha uma forma de ajudar, e todos tinham fé que conseguiriam.
  Quando finalmente os olhos pediram para serem abertos, o relógio marcava quatro e meia. Amanda não tinha a mínima vontade de se levantar, mas também não podia mais dormir. Seu olhar vagou por todo o quarto até parar na porta, onde uma mulher bonita olhava a menina. Tinha uma caneca em mãos, que Amanda descobriu algum tempo depois que tinha um delicioso chocolate quente.
- Tá cansada, princesa?
- Não muito, mas com uma preguiça....
  A voz manhosa da garota fez a mulher sorrir. Se deitou no espaço da cama que sobrava, e quando Amanda tinha acabado de beber o líquido quente fez o mesmo. As duas ficaram olhando para o teto em silêncio. 
- Mamãe...
  Embora aquela não fosse a sua mãe, ainda assim era. Confuso, sem sentido, mas compreensível. Dona Elena olhou para a menina, esperando o resto da frase.
- Você já esteve numa situação em que não tinha a mínima ideia do que fazer?
- Isso tem alguma coisa a ver com Tristan?
 Amanda pensou por um segundo. A verdade é que as palavras do menino tinham mexido com ela. A verdade é que se sentia extremamente culpada por entrometer-se na vida de todos ali. E, com certeza, sentia muita culpa por Tristan estar sem Ruby.
- É...
- Eu sempre achei que vocês fossem ficar juntos pra sempre e me dar vários netinhos. Mas pelo visto não estão no melhor momento.
- É que... As coisas estão meio complicadas.
- Filha, você o ama. E eu tenho certeza que vocês vão se entender. Seja lá qual for o problema, tudo vai se encaixar.


Continua....

Mil perdões pela demora. Eu estava viajando e quando voltei tive aula no dia seguinte, aí complicou. Mas eu vou tentar postar mais capítulos essa semana.

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Amnezie

When you play it hard
And I try to follow you there

Capítulo 7










 Quando a festa chegou em um ponto em que todos ou estavam bêbados, ou estavam se agarrando no meio da sala, Amanda se sentou no sofá e apoiou a cabeça no encosto. Estava simplesmente exausta de tudo aquilo. Mal sabia como as pessoas conseguiam se manter de pé depois de 3 horas; não depois de tanta bebida e tanta dança. Sério, ela podia jurar que tinham pessoas naquela pista de dança que só saíram de lá pra pegar bebida e ir ao banheiro.
  Estava quase pegando no sono quando se sentiu observada. Quando abriu os olhos, viu Tristan a olhando como se fosse a única coisa naquele lugar bagunçado e lotado. Ela ficou o encarando de volta até se sentir terrivelmente incomodada. Era como se ele fosse um cão de guarda observando uma pessoa suspeita. Quis desviar o rosto e voltar a cochilar, e teria o feito se Tristan não a tivesse beijado. Teve vontade de empurrá-lo longe e sair correndo como a garotinha indefesa que era, mas aquilo pareceu errado quando a língua do menino entrou em contato com a sua. Empurrou o garoto cuidadosamente pelo tórax magro e musculoso e se levantou. Ele fez o mesmo e ela o puxou para o andar de cima, onde ficavam os quartos.
  Ao longe, um casal que dançava os olhava atentamente. Marty e Connor observavam cada ação dos outros dois com extrema cautela. Connor estava irritado, porque depois de tanto implorar Marty tinha aceitado dançar com ele e até mesmo permitir que o garoto passasse as mãos inquietas pelo corpo da menina. Marty, porém, estava mais preocupada com Tristan fazendo algo que se arrependesse depois. Conhecia o amigo bem o suficiente para saber que ele acharia que estava traindo a namorada, mesmo que aquele fosse o corpo dela. Não era a mente de Ruby. Não era Ruby.
- A gente vai atrás deles ?
  Marty mordia o lábio de uma maneira fofa e sexy. Mas Connor sabia que ela falava sério. Os dois estavam dançando abraçados, então Connor afastou seus troncos, ainda com os braços atrás da menina, e deu uma boa olhada no corpo da menina.
- Daqui a 5 minutos?
  Marty deu um risinho e os dois se soltaram, para dançar a música animada que tocava. Quem visse os dois daquela forma poderia pensar que os dois eram namorados. Mas a verdade é que nunca deram sequer um beijo.

                                                                          ***

- Tristan, acho que o senhor enlouqueceu. Não se esqueça que eu não sou sua namorada, meu nome é Amanda, não Ruby.
  Tristan não dizia nada apenas olhava a menina, que se sentiu dez vezes mais pelada do que quando saiu de casa, já que os olhos do garoto estavam em suas pernas. Depois de mais ou menos um minuto, ela começou a sentir medo do silêncio do garoto. E se ele tentasse alguma coisa? Ela nunca conseguiria se livrar dele.
  Quando ele começou a dar passos para frente, Amanda caminhava de costas para longe da proximidade. Parecia até cena de filme e seria engraçado, se as costas dela não tivessem chegado até a parede e ela não tivesse mais como escapar. Ele já estava com o corpo próximo o suficiente quando passou o dedo maior na bochecha da menina, fazendo um carinho que ela nunca havia recebido. Ele ficou calado por um tempo, sem mexer nenhum músculo além dos da mão e os olhos. Até sua respiração estava diferente. 
- Você... Eu sei que a Ruby tá aí dentro. E eu tô tão desesperado porque eu tenho medo de perdê-la. ela foi uma das melhores coisas que já me aconteceu, mesmo eu só tendo 18 anos. Eu sinto falta do sorriso, das conversas, dos beijos.
  Amanda estava com vontade de chorar. Não podia falar para o menino se afastar, seria crueldade com ele.
- Eu te amo, Ruby. E eu vou esperar até o fim da minha vida, se for preciso, pra te ter de volta. Porque você é uma das coisas com a qual eu mais me importo. O seu sorriso, o seu rosto, seu jeito, até suas manias. Eu sei que você está aí dentro, e eu espera que você tenha me escutado. Então volta logo pra mim.
  Sem dizer mais nada, ele apenas encostou o lábio dos dois e foi em direção à porta. Quando a abriu para sair, Connor e Marty estavam prontos para entrar e dizer que eles não podiam fazer o que quer que estivessem fazendo. Mas Tristan saiu com uma cara horrível e apenas disse que eles iriam embora em 3 minutos.
  Amanda estava encostada na parede com os olhos maiores que duas bolas de futebol, figuradamente falando. Marty quase riu da expressão da menina, se não fosse pelo fato da situação ser horrível.
- Acho melhor acharmos JJ e Mariana.
  Connor disse e os três seguiram a procura das meninas.

                                                                          ***

   O caminho de volta estava silencioso e tedioso. Nem mesmo a música da rádio estava deixando o clima mais ameno. Amanda não comentou o que Tristan havia dito, nem o faria. Aquilo tinha sido para Ruby, e ela esperava de todo coração que a menina tivesse ouvido.
   Mariana e JJ já tinham sido deixadas em casa. Connor estava fazendo a curva para a rua de Marty, que estava no banco de trás com Amanda. Os 5 concordaram que Tristan estava, no mínimo, três vezes mais bêbado que Connor, então era melhor que ele dirigisse.
 Quando Marty deixou o carro e entrou em casa, Connor aumentou o volume da música. Não só porque era uma de suas preferidas, mas queria que o clima ficasse mais leve.
- Bem, já passa da meia noite, então é domingo. Amanhã nós temos aula. A mãe de Ruby a leva todo dia, então não precisa se preocupar. 
  Amanda gravou tudo em sua mente e desceu do carro, já que estavam em frente à sua casa. Deu tchau aos meninos e desejou melhoras a Tristan, que já se sentia mal. Entrou em casa o mais rápido possível e subiu para o quarto. Escolheu uma roupa e tomou um banho rápido. 
  Era tão estranho mexer naquelas coisas como se fosse sua vida, mas era engraçado. Era como saber como uma pessoa age sem a presença de outra. Quando era pequena vivia pensando nisso.
  Foi direto pra cama, agradecendo a Deus por Elena estar dormindo. Pensou em como aquilo era surreal. E em tudo o que Tristan disse, seria tão bom que aquilo trouxesse Ruby de volta, mas ela não voltou. Pegou no sono rápido. Além de estar cansada, sabia que teriam um longo na segunda.

Continua...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Amnezie

     You always take it further than I ever can



Capítulo 6













 Quando chegaram à casa de Danna, o barulho já era alto o suficiente para estourar os tímpanos de Amanda. A sala estava abarrotada de gente, que dançavam descontroladamente ao som daquela música estranha. Até que a letra era legalzinha.
  Enquanto passavam entre as pessoas em direção ao sofá, eram cumprimentados por quase todos. Alguns minutos depois uma menina ruiva, visivelmente oxigenada, se jogou no colo dos que estavam sentados. Amanda levou um susto de primeiro momento, mas logo que os outros começaram a fazer festa com a menina ela percebeu que não era nenhuma tentativa de assassinato. Aquela deveria ser Danna. Ela parecia legal.
  Se levantou, ajeitou a saia que vestia e olhou para eles por um momento. Estranhou que Ruby estivesse sentada entre Mariana e Connor, mas não disse nada.
- Tris, querido. Se importa se eu roubar sua namorada por um momento?
  Ele respondeu que não com a cabeça e puxou as meninas atrás de si. Levou-as até um quarto, que deveria ser o seu devido as fotos e pôsteres.
- Tá, o que rolou?
  Perguntou diretamente para Ruby, que se assustou de primeiro momento. Franziu a testa, e Danna achou melhor fazer a pergunta mais completa. A amiga sempre foi lerda.
- O que rolou entre você e Tris?
- Ah.., Estamos em um momento difícil.
  Marty se surpreendeu com a resposta rápida e certeira de Amanda. Queria até mesmo parabenizar a garota pelo raciocínio rápido, mas Danna desconfiaria. Pensando bem, talvez Amanda estivesse imaginando a algum tempo como se livrar de Tristan.
- Ah, vai dar tudo certo! E você colocou esse vestido pra provocar ele?
  Amanda franziu o cenho, mas então percebeu que era melhor concordar e sorrir, e depois perguntar as meninas o que Danna queria dizer com aquilo. A ruiva reclamou que a amiga não tinha a abraçado e elas então entrelaçaram os braços. Alguns minutos depois, as 5 desceram as escadas e a música já tinha mudado. Ruby/Amanda pediu licença e arrastou Marty até a cozinha, com a desculpa de que iriam pegar algo para beber.
  Tinham algumas pessoas lá, mas Ruby pediu/mandou que eles saíssem. Marty se assustou com o tom da garota, mas tentou não fazer isso aparecer.
- Pode ir contando.
- Nossa! Tá igualzinho à Ruby.
- Uhum, andei treinando.
- Você não pretende ficar no lugar dela, né?
- Marty...
  A garota bufou e foi até a geladeira, pegando uma garrafinha de cerveja. Amanda ia ficar extremamente irritada com Marty quando ela descobrisse o que o vestido significava para o casal.
- Então, a Ruby tinha um sonho por esse vestido que era coisa de outro mundo. Mas quando ela conseguiu comprar não tinha onde usar, aí o Tris chamou ela pra ir num restaurante super chic que tem aqui. Eles jantaram e no final ele pediu ela em namoro e deu esse anel que tá aí no seu dedo. E depois ela... Bem, ela ficou com alguém pela primeira vez.
  Amanda parou para pensar por um tempo, mas Marty estava vermelha o suficiente para que percebesse do que falava. Arregalou os olhos de uma maneira que pareciam dois planetas. Teve vontade de tirar aquela cerveja da boca da menina e derramar na roupa dela. Respirou fundo e contou até dez.
- E você não pensou, em momento nenhum, que isso poderia fazer Tristan se sentir mal?
  Marty ponderou por um minuto e abaixou a cabeça. A garota estava certa. Mas a verdade é que ela nem mesmo se lembrava do que o vestido era quando pegou ele do cabide.
- Me perdoa. Eu nem mesmo lembrava de toda a história do vestido.
  Amanda respirou fundo e viu que a menina estava realmente envergonhada. Não era culpa dela, era um vestido realmente deslumbrante e ela não desconfiava que tivesse se distraído. 
- Olha, desculpa. Eu fiquei chateada, você não tem culpa mesmo.
  Marty sorriu fraco e Amanda fez um mesmo. Até que a "princesa" era bem legal. Quando voltaram para o meio dos amigos, todos estavam conversando e rindo. Danna conversava animadamente com um menino loiro que era desconhecido por Amanda, mas que seus amigos conheciam bem. 
- Nossa Ruby, tá linda. Com todo o respeito, Tris.
  Tristan sorriu para o menino e então ele abraçou Amanda. Depois que o menino se distraiu Mariana a puxou e sussurrou o nome Leonardo, apontando para o loirinho. 
 Depois de alum tempo, Connor encheu o saco dos colegas e todos foram para a pista de dança, menos Danna que sumiu com Leonardo em seu encalço. Amanda estava um pouco perdida nos movimentos malucos e sem sentido dos jovens ao seu redor. Connor percebeu isso e riu. Pegou a mão da menina e piscou para Tristan, que o olhava desconfiado. Os três seguiram para a cozinha, com Connor rindo como louco.
- Você precisa de uma bebida. Tava parecendo uma pata perneta dançando. 
  Ele ria enquanto tirava três garrafas de bebida do congelador. Entregou uma para cada amigo e entornou o líquido da terceira garrafa na própria garganta. Tristan fez o mesmo e Amanda foi imitá-los, mas se arrependeu totalmente quando se sentiu tonta. Teve vontade de vomitar o que tinha acabado de passar por sua garganta, mas seria falta de educação.
- O que diabos é isso?
  Tristan deu uma risadinha ao ver o rosto de nojo da garota. Se não fosse o fato da pessoa que falava estar no corpo de sua melhor amiga, Connor acharia aquela expressão totalmente fofa.
- Nossa, você é fraquinha. Isso é só ice. 
  O garoto tomou a garrafinha da mão da menina e abriu a geladeira, examinando o que tinha lá dentro.
- Tem suco, refrigerante e água. 
  Pensou por um minuto e resolveu experimentar o que era refrigerante. Connor entregou uma latinha de coca e a menina ficou olhando para a lata, até que Tristan a abriu para ela. Assim que tomou teve vontade de espirrar, e assim fez. Tristan começou a rir e achou fofo, assim como Connor. Pra ela, era algo novo e bom.  Avisou que iria beber aquilo mesmo e Connor reclamou que ela não iria se soltar.
- Nós não precisamos que uma princesa presa no corpo da minha namorada fique "solta". 
  Tristan disse para Connor, que pensou por um momento. Derramou todo o conteúdo que estava na garrafa que antes era da menina na boca. Tristan o olhou com aquele olhar de " você tá fazendo merda"
- Que é? Não queremos que ela se solte. Não tenho nada a ver com isso.


Continua...
  Oi gente! Gostaria de pedir desculpa por ter demorado pra att. É que eu viajei e quando cheguei as aulas começaram; aí hoje eu tive uma folga e escrevi o capítulo. Bem, espero que gostem. 
   Beijinhos!
PS: Não esqueçam de conferir o trailer::::: https://www.youtube.com/watch?v=POQHjMUmwkI 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Amnezie

When oblivion 
Is calling out your name

Capítulo 5

Bateu à porta do quarto antes de entrar. Embora aquele corpo tivesse intimidade com sua criadora, quem ocupava o corpo não tinha. 
A mulher pediu que ela entrasse com um grunhido; ótimo, atrapalhara o sono da mãe.
- Mãe, desculpa incomodar, é que os meninos vão sair.
 Elena se sentou na cama, olhando estranhamente para Amanda. Estranho, tinha a certeza de que imitara Ruby exatamente como Connor disse que ela fazia.
- Você. - Apontou para a filha.-  Me pedindo permissão pra sair?
 Amanda quis bater a própria cabeça na parede. Connor havia avisado que Ruby nunca pedia permissão para a mãe, por mais amigas que fossem. Mas ela achou que seria falta de respeito.
- Eu... Estou experimentando coisas novas.
- " Estou" ? 
 A mulher arqueou a sobrancelha, já que sua filha sempre diria " Tô ". Mas havia gostado da ideia. A filha a respeitava como nenhuma outra jamais o fizera. Mas quando se tratava de sair, Ruby dizia que era a única coisa que a fazia se sentir livre.
-  Ah mãe! Você entendeu.
 Tentou parecer o mais convincente possível, e parece que funcionou, já que a mais velha riu da reação da garota. Não gostava da ideia de falar com uma pessoa mais celha daquela forma, nem falar daquela forma. Mas precisava. Cientistas eram malucos em sua época, e nada impedia que fossem agora também.
  Quando a mãe de Ruby afirmou com a cabeça, Amanda sentiu-se relaxar. Mais uma vez conseguiu se livrar de ter que falar com uma das pessoas próximas à dona do corpo em que estava.
  Sorriu para a mãe em agradecimento e saiu do quarto. A mulher tinha os olhos da rainha Vanessa, sua mãe. Mas fora isso, não se parecia nem um pouco com sua mãe de verdade. Era estranho pensar de si mesma dessa forma. " A dona desse corpo" " a mãe dela", não gostava de pensar assim; mas não conseguia evitar. Tentaria ao máximo aderir àquela vida até que conseguissem mandá-la para seu mundo: o dis mortos.
Chegou ao seu quarto e encontrou as meninas mexendo no armário. Algumas roupas estavam espalhados pelo chão, e outras esticadas na cama.
-  Achei!
  Marty gritou e tirou um vestido branco com pedrinhas do cabide. Mariana e JJ sorriram ao ver quão linda era a peça, mas Amanda arregalou os olhos. Embora lindo, a peça de roupa era extremamente curta e deixaria grande parte de sua coxa à mostra. Mesmo estando calor, achou uma má ideia vestir algo tão... Provocante.
- Eu tenho que vestir isso?
   As meninas a olharam, chocadas. Pareciam até mesmo ofendidas.
- " Isso" é um Channel original.
- Ruby teve que trabalhar quase um ano para comprar.
  Amanda percebeu que as meninas realmente estavam chocadas. Não importava de qual marca era, o que era Channel e nem o quão lindo era; curto de mais. Balançou a cabeça em negação, fazendo as meninas bufarem.
- Qual é? Não tem nem um pingo de vaidade dentro de você ?
  Amanda mordeu o lábio inferior, tentada a pelo menos experimentar. Qual seria o problema? Ela estava bem longe de suas terras e ali não era a princesa de Altemar. Era apenas uma garota simples chamada Ruby. 
- Se você não usar. - Foi a vez de Mariana intimidá-la. - Eu uso.
  Esperou mais alguns segundos até caminhar até as meninas e tomar o vestido das mãos magras de JJ. Foi até a suíte e colocou o vestido, olhando no próprio reflexo. Ele era grudado no tronco e rodado na cintura. Um decote em formato de coração na altura do peito e pedrinhas por toda a parte grudada do vestido. Tirando a parte en que o vestido só pegava 2 palmas e meia da sua coxa, conferia um ar de menina ao corpo.
  Quando saiu, todas as meninas sorriram. Estava simplesmente deslumbrante. Mariana bateu as palmas, sendo acompanhada pelas outras. Amanda sentiu as bochechas esquentarem e percebeu como aquelas eram meninas confiáveis. Podiam ter apenas entregado-a para o governo ou sabe-se lá o que e estariam livres do problema. Ao invés disso, estavam cuidando para que ela fosse bem tratada até sua partida. Ela se sentia bem vinda por isso, mesmo que soubesse que as meninas só queriam a amiga de volta.
- Obrigada. 
  Ela sussurrou e as meninas a olharam por algum tempo, fazendo com que Amanda se arrependesse. Talvez tivesse dito algo errado. Abaixou o rosto e pode ver apenas os pés das garotas à sua frente. Quando levantou o rosto, as meninas abriram os braços e a abraçaram. Deixou que uma lágrima caísse.
- Eu sei que você deve estar apavorada.
  Marty disse com a voz um pouco mais terna do que de costume. Ela era conhecida como a versão feminina de Connor, sempre sarcástica e com vários meninos. Mas naquele momento, sua voz tentava executar a missão de acalmar a menina.
- Vai dar tudo certo.
  Mariana disse e Amanda agradeceu as meninas. Logo estavam sentadas na cama falando de Ruby. As meninas simplesmente eram apaixonadas por ela, de forma que Amanda podia ver um brilho nos olhos de cada uma ao falar da amiga, até mesmo Mariana. Até mesmo JJ estava elogiando a garota, ao invés de só concordar com o que diziam.
- To com saudades dela. Aquela peste faz falta.
  Mariana disse, deixando que uma careta modulasse seu rosto. As outras olharam para ela, concordando. JJ e Marty haviam comentado entre si sobre como Mariana estava estranha. Estava muito calma e caridosa. 
- Ok! - Marty levantou num pulo, assustando as garotas. - Você pro banho já! Você vai com esse vestido, não importa o que acha. Aí vai sair do chuveiro e vamos fazer seu cabelo e sua maquiagem. Imagino que não saiba como fazer.
  Amanda concordou e Marty apontou o banheiro, indicando que deveria ir se banhar. Assim o fez, tirando o vestido com calma e entrando na água fria. O clima estava quente e ela estava suando. Nada como um banho gelado para refrescar i corpo.
  No quarto porém, a temperatura apenas subia.
- Mariana, você está agindo de forma muito estranha. O que significa que ou você está tramando alguma ou que tem algo errado.
  Marty soltou tudo de uma vez. Mariana a olhou confusa, mas logo o seu olhar era triste. Estava certa, algo estava muito errado com a vida de Mariana. Começou a chorar quando percebeu que não teria chances de fugir daquela situação. JJ sentou-se ao lado dela, fazendo carinho em sua cabeça. Não dizia uma única palavra, e isso fez Mariana sorrir. Estava cansada de ter que explicar porquê chorava, JJ a ouviria sem fazer perguntas.
  As meninas esperaram, vendo-a chorar. Apenas quando estava segura o suficiente começou a falar.
- Todos sabem como meus pais são, e Jack é minha única salvação. - Acenaram com a cabeça, incentivando-a a continuar. - Mas o que quase ninguém sabe é que ele vai casar em quatro semanas.
  Marty quis chorar. Além de super companheiro, era uma pessoa linda. Uma terrível perda no mercado de solteiros.
- E meus pais querem se mudar. Planejam ir para Denver quando as férias chegarem. Mas eu não quero ir, vou ficar longe do meu irmão e a minha relação com meus pais só vai piorar.
  À essa altura, seus olhos se assemelhavam a uma cachoeira. As meninas ficaram caladas por um tempo, apenas vendo-a chorar. Tomou fôlego e voltou a falar.
- Por isso eu estou sendo legal, se é o que você quer dizer com "estranha". Vocês sabem que eu sempre quis ser do grupo de vocês e tudo o que me separa é a minha paixão idiota por Tristan. Então eu só queria que vocês não me odiassem antes que eu partisse.
  As meninas sabiam que ela sempre quis ser amiga delas, mas nas vezes que tentaram Ruby e Mariana quase se estapearam por causa de Tristan. JJ se sentia péssima agora, ouvindo a garota. Queria se desculpar e se jogar do penhasco, por terem sido tão grossas.
  Então Marty a abraçou e foi como se o tempo parasse. As duas se odiaram desde o primeiro momento, mas Marty se sentia tão ruim quanto JJ, mais pelo fato da relação com os pais do que por terem rejeitado-a por tanto tempo.
  Quando ela disse que todo mundo sabia da história com os pais, não estava exagerando. Uma noite, quando Mariana voltava de uma festa com a irmã, a mais velha parou o carro para acender um cigarro. Mariana tentou falar para a garota se concentrar na estrada, mas ela riu e falou quebra a mais velha e sabia o que estava fazendo. Foi quando o trem veio rápido de mais e atingiu o carro. 
  Mariana saiu com não mais que alguns arranhões e uma fratura no braço. Mas Juliet, sua irmã, morreu na hora. Os pais da menina a culpam pela morte da mais velha desde que saíram do hospital. Diziam que se ela tivesse convencido a irmã a ficar em casa nada teria acontecido. Eles a olhavam como se ela fosse uma assassina, e a menina se convencia disso às vezes.
- Você não pode morar com a sua prima?
- Hanna? - A menina riu sem alegria. - Os pais dela me culpam tanto quanto os meus.
  Depois de algum tempo, parou de chorar e soltou um sorriso, tentando se animar. Marty garantiu que elas dariam um jeito, que tudo ia ficar bem.
  Amanda saiu do banheiro e pensou em voltar para o chuveiro quando viu as três amigas abraçadas, mas a viram antes que pudesse sair de fininho.
- Maquiagem e cabelo.
  Marty disse com um sorriso esperto de menina que vai aprontar.
- Maquiagem e cabelo.
  Mariana e JJ disseram juntas, com o mesmo sorriso que Marty. Amanda tremeu.

                                                                             ***
- Você não acha o fato da Mariana estar assim muito estranho?
  Tristan disse olhando para a rua. Tinham ido até a casa de Con se arrumarem para a festa que o amigo tinha arranjado.
- Estar assim como?
- Assim, próxima das meninas. A Mariana que eu conheço teria pulado no meu pescoço quando eu entrei naquela casa, afinal, a Ruby não tá aqui.
  Connor ponderou aquela ideia por um momento. O amigo estava certo. A Mariana teria, no mínimo, soltado uma daquelas cantadas pra cima de Tristan. Mas ao invés disso chorou, por uma menina que eles juravam que ela odiava. Mesmo com esses pensamentos, deu de ombros e virou pro amigo.
- Vai ver você perdeu o encanto.
  Deu uma risada alta da cara que o garoto deu, como se tivesse se ofendido. Tristan estacionou na frente da casa de Ruby e buzinou.
- Uau!- Tristan disse, Connor seguiu o olhar do amigo.
- Nossa!
  4 meninas saíram da casa. JJ, Marty, Mariana e por último Amanda. Por um segundo, Tristan se esqueceu que quem tomava conta do corpo da namorada não era ela mesma. Lembrou-se de todas as coisas que aquele vestido representava. O jantar, o pedido de namoro, a primeira vez. Quis sair do carro e correr até a menina, mas apertou o volante para se controlar.
  Connor, por sua vez, estava boquiaberto com o visual de Marty. Amarelo, a cor preferida dele; e ela sabia. O vestido ia até metade das coxas, com um decote em V na parte de trás. Todos sabiam que Connor sempre quis ter Marty, mas essa o provocaca sem dó só pra poder rejeitá-lo quando vinha de graça.
  A menina percebeu o olhar pervertido de Connor, sorrindo com isso. Mais uma vez, ele a desejaria sem tê-la.
  Já dentro do carro, ficaram sem entender o silêncio de Tristan, que olhava pelo retrovisor para a menina mais linda, em sua opinião. O amigo no banco do carona pigarreou, tirando o garoto de seus devaneios.
- Ah! Vamos?


Continua...