When oblivion
Is calling out your name
Capítulo 5
Bateu à porta do quarto antes de entrar. Embora aquele corpo tivesse intimidade com sua criadora, quem ocupava o corpo não tinha.
A mulher pediu que ela entrasse com um grunhido; ótimo, atrapalhara o sono da mãe.
- Mãe, desculpa incomodar, é que os meninos vão sair.
Elena se sentou na cama, olhando estranhamente para Amanda. Estranho, tinha a certeza de que imitara Ruby exatamente como Connor disse que ela fazia.
- Você. - Apontou para a filha.- Me pedindo permissão pra sair?
Amanda quis bater a própria cabeça na parede. Connor havia avisado que Ruby nunca pedia permissão para a mãe, por mais amigas que fossem. Mas ela achou que seria falta de respeito.
- Eu... Estou experimentando coisas novas.
- " Estou" ?
A mulher arqueou a sobrancelha, já que sua filha sempre diria " Tô ". Mas havia gostado da ideia. A filha a respeitava como nenhuma outra jamais o fizera. Mas quando se tratava de sair, Ruby dizia que era a única coisa que a fazia se sentir livre.
- Ah mãe! Você entendeu.
Tentou parecer o mais convincente possível, e parece que funcionou, já que a mais velha riu da reação da garota. Não gostava da ideia de falar com uma pessoa mais celha daquela forma, nem falar daquela forma. Mas precisava. Cientistas eram malucos em sua época, e nada impedia que fossem agora também.
Quando a mãe de Ruby afirmou com a cabeça, Amanda sentiu-se relaxar. Mais uma vez conseguiu se livrar de ter que falar com uma das pessoas próximas à dona do corpo em que estava.
Sorriu para a mãe em agradecimento e saiu do quarto. A mulher tinha os olhos da rainha Vanessa, sua mãe. Mas fora isso, não se parecia nem um pouco com sua mãe de verdade. Era estranho pensar de si mesma dessa forma. " A dona desse corpo" " a mãe dela", não gostava de pensar assim; mas não conseguia evitar. Tentaria ao máximo aderir àquela vida até que conseguissem mandá-la para seu mundo: o dis mortos.
Chegou ao seu quarto e encontrou as meninas mexendo no armário. Algumas roupas estavam espalhados pelo chão, e outras esticadas na cama.
- Achei!
Marty gritou e tirou um vestido branco com pedrinhas do cabide. Mariana e JJ sorriram ao ver quão linda era a peça, mas Amanda arregalou os olhos. Embora lindo, a peça de roupa era extremamente curta e deixaria grande parte de sua coxa à mostra. Mesmo estando calor, achou uma má ideia vestir algo tão... Provocante.
- Eu tenho que vestir isso?
As meninas a olharam, chocadas. Pareciam até mesmo ofendidas.
- " Isso" é um Channel original.
- Ruby teve que trabalhar quase um ano para comprar.
Amanda percebeu que as meninas realmente estavam chocadas. Não importava de qual marca era, o que era Channel e nem o quão lindo era; curto de mais. Balançou a cabeça em negação, fazendo as meninas bufarem.
- Qual é? Não tem nem um pingo de vaidade dentro de você ?
Amanda mordeu o lábio inferior, tentada a pelo menos experimentar. Qual seria o problema? Ela estava bem longe de suas terras e ali não era a princesa de Altemar. Era apenas uma garota simples chamada Ruby.
- Se você não usar. - Foi a vez de Mariana intimidá-la. - Eu uso.
Esperou mais alguns segundos até caminhar até as meninas e tomar o vestido das mãos magras de JJ. Foi até a suíte e colocou o vestido, olhando no próprio reflexo. Ele era grudado no tronco e rodado na cintura. Um decote em formato de coração na altura do peito e pedrinhas por toda a parte grudada do vestido. Tirando a parte en que o vestido só pegava 2 palmas e meia da sua coxa, conferia um ar de menina ao corpo.
Quando saiu, todas as meninas sorriram. Estava simplesmente deslumbrante. Mariana bateu as palmas, sendo acompanhada pelas outras. Amanda sentiu as bochechas esquentarem e percebeu como aquelas eram meninas confiáveis. Podiam ter apenas entregado-a para o governo ou sabe-se lá o que e estariam livres do problema. Ao invés disso, estavam cuidando para que ela fosse bem tratada até sua partida. Ela se sentia bem vinda por isso, mesmo que soubesse que as meninas só queriam a amiga de volta.
- Obrigada.
Ela sussurrou e as meninas a olharam por algum tempo, fazendo com que Amanda se arrependesse. Talvez tivesse dito algo errado. Abaixou o rosto e pode ver apenas os pés das garotas à sua frente. Quando levantou o rosto, as meninas abriram os braços e a abraçaram. Deixou que uma lágrima caísse.
- Eu sei que você deve estar apavorada.
Marty disse com a voz um pouco mais terna do que de costume. Ela era conhecida como a versão feminina de Connor, sempre sarcástica e com vários meninos. Mas naquele momento, sua voz tentava executar a missão de acalmar a menina.
- Vai dar tudo certo.
Mariana disse e Amanda agradeceu as meninas. Logo estavam sentadas na cama falando de Ruby. As meninas simplesmente eram apaixonadas por ela, de forma que Amanda podia ver um brilho nos olhos de cada uma ao falar da amiga, até mesmo Mariana. Até mesmo JJ estava elogiando a garota, ao invés de só concordar com o que diziam.
- To com saudades dela. Aquela peste faz falta.
Mariana disse, deixando que uma careta modulasse seu rosto. As outras olharam para ela, concordando. JJ e Marty haviam comentado entre si sobre como Mariana estava estranha. Estava muito calma e caridosa.
- Ok! - Marty levantou num pulo, assustando as garotas. - Você pro banho já! Você vai com esse vestido, não importa o que acha. Aí vai sair do chuveiro e vamos fazer seu cabelo e sua maquiagem. Imagino que não saiba como fazer.
Amanda concordou e Marty apontou o banheiro, indicando que deveria ir se banhar. Assim o fez, tirando o vestido com calma e entrando na água fria. O clima estava quente e ela estava suando. Nada como um banho gelado para refrescar i corpo.
No quarto porém, a temperatura apenas subia.
- Mariana, você está agindo de forma muito estranha. O que significa que ou você está tramando alguma ou que tem algo errado.
Marty soltou tudo de uma vez. Mariana a olhou confusa, mas logo o seu olhar era triste. Estava certa, algo estava muito errado com a vida de Mariana. Começou a chorar quando percebeu que não teria chances de fugir daquela situação. JJ sentou-se ao lado dela, fazendo carinho em sua cabeça. Não dizia uma única palavra, e isso fez Mariana sorrir. Estava cansada de ter que explicar porquê chorava, JJ a ouviria sem fazer perguntas.
As meninas esperaram, vendo-a chorar. Apenas quando estava segura o suficiente começou a falar.
- Todos sabem como meus pais são, e Jack é minha única salvação. - Acenaram com a cabeça, incentivando-a a continuar. - Mas o que quase ninguém sabe é que ele vai casar em quatro semanas.
Marty quis chorar. Além de super companheiro, era uma pessoa linda. Uma terrível perda no mercado de solteiros.
- E meus pais querem se mudar. Planejam ir para Denver quando as férias chegarem. Mas eu não quero ir, vou ficar longe do meu irmão e a minha relação com meus pais só vai piorar.
À essa altura, seus olhos se assemelhavam a uma cachoeira. As meninas ficaram caladas por um tempo, apenas vendo-a chorar. Tomou fôlego e voltou a falar.
- Por isso eu estou sendo legal, se é o que você quer dizer com "estranha". Vocês sabem que eu sempre quis ser do grupo de vocês e tudo o que me separa é a minha paixão idiota por Tristan. Então eu só queria que vocês não me odiassem antes que eu partisse.
As meninas sabiam que ela sempre quis ser amiga delas, mas nas vezes que tentaram Ruby e Mariana quase se estapearam por causa de Tristan. JJ se sentia péssima agora, ouvindo a garota. Queria se desculpar e se jogar do penhasco, por terem sido tão grossas.
Então Marty a abraçou e foi como se o tempo parasse. As duas se odiaram desde o primeiro momento, mas Marty se sentia tão ruim quanto JJ, mais pelo fato da relação com os pais do que por terem rejeitado-a por tanto tempo.
Quando ela disse que todo mundo sabia da história com os pais, não estava exagerando. Uma noite, quando Mariana voltava de uma festa com a irmã, a mais velha parou o carro para acender um cigarro. Mariana tentou falar para a garota se concentrar na estrada, mas ela riu e falou quebra a mais velha e sabia o que estava fazendo. Foi quando o trem veio rápido de mais e atingiu o carro.
Mariana saiu com não mais que alguns arranhões e uma fratura no braço. Mas Juliet, sua irmã, morreu na hora. Os pais da menina a culpam pela morte da mais velha desde que saíram do hospital. Diziam que se ela tivesse convencido a irmã a ficar em casa nada teria acontecido. Eles a olhavam como se ela fosse uma assassina, e a menina se convencia disso às vezes.
- Você não pode morar com a sua prima?
- Hanna? - A menina riu sem alegria. - Os pais dela me culpam tanto quanto os meus.
Depois de algum tempo, parou de chorar e soltou um sorriso, tentando se animar. Marty garantiu que elas dariam um jeito, que tudo ia ficar bem.
Amanda saiu do banheiro e pensou em voltar para o chuveiro quando viu as três amigas abraçadas, mas a viram antes que pudesse sair de fininho.
- Maquiagem e cabelo.
Marty disse com um sorriso esperto de menina que vai aprontar.
- Maquiagem e cabelo.
Mariana e JJ disseram juntas, com o mesmo sorriso que Marty. Amanda tremeu.
***
- Você não acha o fato da Mariana estar assim muito estranho?
Tristan disse olhando para a rua. Tinham ido até a casa de Con se arrumarem para a festa que o amigo tinha arranjado.
- Estar assim como?
- Assim, próxima das meninas. A Mariana que eu conheço teria pulado no meu pescoço quando eu entrei naquela casa, afinal, a Ruby não tá aqui.
Connor ponderou aquela ideia por um momento. O amigo estava certo. A Mariana teria, no mínimo, soltado uma daquelas cantadas pra cima de Tristan. Mas ao invés disso chorou, por uma menina que eles juravam que ela odiava. Mesmo com esses pensamentos, deu de ombros e virou pro amigo.
- Vai ver você perdeu o encanto.
Deu uma risada alta da cara que o garoto deu, como se tivesse se ofendido. Tristan estacionou na frente da casa de Ruby e buzinou.
- Uau!- Tristan disse, Connor seguiu o olhar do amigo.
- Nossa!
4 meninas saíram da casa. JJ, Marty, Mariana e por último Amanda. Por um segundo, Tristan se esqueceu que quem tomava conta do corpo da namorada não era ela mesma. Lembrou-se de todas as coisas que aquele vestido representava. O jantar, o pedido de namoro, a primeira vez. Quis sair do carro e correr até a menina, mas apertou o volante para se controlar.
Connor, por sua vez, estava boquiaberto com o visual de Marty. Amarelo, a cor preferida dele; e ela sabia. O vestido ia até metade das coxas, com um decote em V na parte de trás. Todos sabiam que Connor sempre quis ter Marty, mas essa o provocaca sem dó só pra poder rejeitá-lo quando vinha de graça.
A menina percebeu o olhar pervertido de Connor, sorrindo com isso. Mais uma vez, ele a desejaria sem tê-la.
Já dentro do carro, ficaram sem entender o silêncio de Tristan, que olhava pelo retrovisor para a menina mais linda, em sua opinião. O amigo no banco do carona pigarreou, tirando o garoto de seus devaneios.
- Ah! Vamos?
Continua...
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