segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Amnezie


Are you going to age with grace?
Only to wake and hide your face?
                                   Capítulo 4


  Amanda balançava a cabeça, descrente do que estava ouvindo. Aquilo não poderia estar acontecendo com ela.
- Vocês - Ela apontou com desdém para as pessoas. - Estão querendo ensinar a mim como agir?   
  Todos concordaram e ela riu, dando uma volta andada.
 - Talvez vocês não tenham ouvido quando eu disse que era princesa. Não preciso quem me ensinem como agir.
- Olha aqui, eu já não era muito fã da Ruby. Não me faz desgostar de você também.
  Mariana já estava ficando irritada com o jeito que a garota estava se comportando. Ela falava com eles como se fosse superior, e Mariana já estava irritada com isso.  E a verdade é que Marty também estava. Perdeu a conta de quantas vezes ela deu aquele olhar de " sou melhor que você ".
 - E quem você pensa que é para falar comigo assim?
  As duas estavam frente à frente, uma pronta para estapear a outra. Tristan não sabia o que fazer e Connor estava achando interessante.
- A Mari é a sua única esperança.
   Marty estava ao lado de Mariana, apoiada no ombro esquerdo da garota. Mariana cruzou os braços a cima do peito e deu um sorriso intimidador para a princesa.
- Nós todos somos a esperança pra que nenhum cientista maluco te sequestre e abra esse seu corpinho lindo. Só pra descobrir como você veio de séculos atrás pro corpo da nossa amiga.
  Amanda tremeu até os ossos. Isso foi o suficiente para que ela calasse a boca e abaixasse a cabeça, se convencendo de que não tinha outra opção. Mariana e Marty sorriam cúmplices uma para a outra, mesmo sem entender o porquê de estarem sendo amigas. Mas Connor sentiu pena de como a garota reagiu a intimidação das amigas e se colocou ao lado de Amanda. O resto do grupo estranhou aquilo, ficando em silêncio.
- Olha pra mim. Você tá no corpo da nossa melhor amiga, isso tá sendo tão assustador pra gente quanto deve estar sendo pra ti. Mas isso aqui é a América. Se descobrirem isso, sabe Deus o que vão fazer com você. Aí vão embora você e nossa amiga.
 - E a gente não quer que isso aconteça.
  Tristan se pronunciou pela primeira vez desde que explicou o plano para os outros.   Estava sentindo uma dor dilacerante no peito. A menina que ele amava não estava mais ali. Era apenas o corpo, com uma mente diferente.
- Já está tarde.
  JJ disse com uma voz cética. Também era a primeira vez que se pronunciava desde o episódio de seu desespero. Estava cansada e assustada, só queria dormir e acordar com tudo normal.
- Mas a gente tem um problema pra resolver antes.
- Qual?
- A mãe da Ruby.
  Todos sumiram com o brilho de " tudo vai dar certo" de seus olhos. Dona Elena seria um grande problema. Poderiam enganar ao Papa e ao mundo, mas ela conhecia sua filha bem de mais para não perceber que aquela não era a sua querida.
- Ela volta hoje?
  Connor já formulava um plano em sua mente.
- A Ruby disse que ela foi trabalhar e só volta amanhã.
  Um trovão estourou no céu e todos se assustaram. Connor já tinha um plano. Talvez não funcionasse, mas tinham que tentar.
- Eu e o Tris vamos dormir aqui. Ensinar a ela como agir igual a Ruby.
- Pode dar certo. - Tristan olhou para o corpo de sua namorada. - A Ruby era muito educada, aposto que a Amanda não vai ter problemas pra se adaptar.
  Todos concordaram. Tristan tinha algumas roupas no armário de Ruby que serviriam perfeitamente em Connor. Eles tinham uma chance, e tudo tinha que dar certo.
- Espera. - Todos pararam o que estavam fazendo e olharam para Amanda. - Dois cavalheiros vão dormir no mesmo ambiente que nós? Damas ?
  Connor, JJ e Marty deram uma risadinha, enquanto Tristan corou e abaixou a cabeça. Amanda olhou a reação deles inocentemente, sem entender nada. Marty achou melhor explicar.
- Querida, você sabe que esse corpo pertence a Ruby? - Amanda concordou- Bem, a Ruby e o Tris ali são namorados.
 - E isso significa que...
- Que ele já viu esse corpo.
  Tristan começou a tossir enquanto Connor ria. Amanda arregalou os olhos, sem acreditar naquilo. Cobriu as próprias pernas e correu para trás do espelho. Não sabia onde colocar a vergonha que estava sentindo. Mariana e JJ davam risinhos, achando toda a situação muito engraçada.
- E eles fizeram... Coisas de marido e mulher?
  A menina perguntou num sussurro e Marty concordou com a cabeça. Se escondeu ainda mais atrás do espelho, com muito mais vergonha. Mas que tipo de comportamento era esse? Em sua época, os rapazes tinham que cortejar a dama por, no mínimo, 6 meses. Mas pelo visto, nesses novos tempos isso não era preciso.
- Não precisa se preocupar. Não vou te agarrar.
   Disse isso com um pouco de dor na voz. A verdade é que tudo o que queria era ter sua namorada, mais que nunca. Mas não agarraria aquele corpo, não era Ruby.
  Voltaram a arrumar as coisas para os meninos dormirem e Connor foi tomar um banho, enquanto Tristan preparava um café. A noite seria longa.
                                                                            ***
  Os meninos estavam exaustos, mas Amanda parecia estar pronta para pular de bung jump. Tinham passado a madrugada inteira ensinando-a como Ruby agia. Disseram que a menina chamava "mamãe" quando conversava com a respectiva, e que o nome dessa era Elena. Que eram extramente próximas e que se conheciam muito bem.
   Disseram que pela manhã, gostava de tomar leite quando acordava e quando ia até a mesa para se alimentar, comia cereal com suco de laranja.
  Explicaram que, no mundo atual, palavras como "tu" e  " para" foram substituídas por "você" e " pra ". Cavalheiros eram meninos e damas eram meninas.
   Ruby era uma pessoa muito educada, e essa seria a parte mais fácil para Amanda. Disseram que quando alguém estranhasse seu comportamento culto, deveria dizer que estava experimentando ser mais intelectual. Podia dar certo, tinha que dar.
  O relógio marcava 6 da manhã, e os meninos só queriam cair na cama e dormir pra sempre. Mas tudo o que Amanda queria era sair e ver o mundo lá fora. O que mais teria mudado?
   Quando as garotas acordaram ficaram encarregadas de mostrar a cidade para Amanda, já que os meninos realmente precisavam dormir. Tomaram café e arrumaram a menina, que queria sair com um vestido longo e encharpe. Um short jeans e uma blusa regata eram o suficiente para o dia quente do Arizona.
  Queriam começar logo a procurar soluções para seu problema, mas em pleno sábado a biblioteca estava fechada e não tinha como procurar quem era Amanda, já que na internet não acharam a garota. E teriam ainda mais dificuldade em achar as pessoas que passaram pelo que estavam passando, e ninguém os atenderia no sábado as 6 da manhã. Então a melhor opção era adaptar Amanda à vida de Ruby.
                                                                          ***
   Ouviram o carro estacionar e deram play no filme. Elena tinha que acreditar que eles estavam vendo um filme, como normalmente fariam se sua filha não tivesse sido levada para o mundo do sono/espíritos.
- Cheguei!
  Soltou os saltos dos pés e colocou a bolsa em cima do sofá. Deu um "oi" para todos e caminhou até a filha, depositando um beijo na testa da garota.
 - Oi mamãe, como foi?
  A mulher se virou em direção à cozinha e Mariana deu um joinha para Amanda, aprovando o comportamento. 
- Sabe como é, muita gente chata falando sobre coisas chatas. Como foi a noite de vocês ?
- Bem, normal.
  Marty percebeu que Amanda não sabia o que responder e resolveu dar uma ajuda.
- Não deu pra gente ir acampar, mas até que foi divertido aqui.
  Elena grunhiu qualquer coisa da cozinha, dizendo que entendeu. Estava com a boca cheia de cereal e eles puderam ouvir um " sinto muito por isso" vindo de uma boca cheia de comida. Amanda riu com isso.
  Estava simplesmente perplexa pela tecnologia. Não imaginava que algum dia seria possível que uma "caixa mágica" pudesse servir para lazer. E mais cedo, quando entregaram um celular a ela, examinou o aparelho inteiro. Havia aprendido como atender as ligações e como realizar chamadas. Fora isso, quase nada. Deu pequenos sorrisos quando viu as fotos da dona de seu corpo com o namorado. Os dois pareciam felizes.
  Também havia várias fotos da garota com suas amigas. Ela estava gostando daquilo. Menos das roupas, que pareciam extremamente erradas para seus costumes conservadores. Mas teria que se acostumar à isso também.
- Filha eu vou dormir um pouco, estou exausta. Desculpa meninos, mas estou morta com farofa.    Todos concordaram e a mulher subiu as escadas, fazendo com que respirassem relaxados. Tinha dado certo. Poderia funcionar até que dessem um jeito de trazer Ruby de volta.
- Certo. - Connor se pronunciou e todos olharam para ele. - Acabei de receber uma mensagem da Danna. Ela vai dar uma festa hoje às 7. Nós vamos.
- Tá doido Con? Não podemos levar a Amanda pra perto de tanta gente.
   Marty sussurrava para que apenas eles ouvissem. JJ aumentou o volume da TV, para terem ainda mais privacidade.
- Tem razão, não podemos. Nós devemos. São 10 da manhã, o que significa que em menos de 48 horas ela vai ter que ir pra escola. E ela tem que aprender a conviver com o tipo de lugar que a Ruby frequenta.
- Não sei...
   Tristan disse coçando o queixo. Aquilo poderia dar totalmente errado, mas era uma boa ideia. Connor tinha razão, ela tinha que conhecer as pessoas que Ruby conhecia, agir como Ruby agia. Não seria problema. Com sorte, em uma semana aquilo tudo não passaria de uma lembrança.
- Eu sou o responsável por fazê-la agir como a Ruby. E quando eu digo que vamos, é porque vamos.

Continua...   
Galerinha, finalmente consegui terminar o Trailer. O link é esse:
https://www.youtube.com/watch?v=POQHjMUmwkI
 Espero que gostem!








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