sexta-feira, 2 de maio de 2014

Para Sempre Ao Seu Lado

Ás vezes, só precisamos olhar
o que está a nossa frente. Essa coisa
pode ser o que procuramos 
a vida inteira.










Capítulo 15

 Ela entrou rapidamente e ficou parada me olhando. Ficamos ali por um instante quando percebi que era melhor dar-lhe uma toalha. Ela se cobriu e sentou-se no sofá. Esfregando os braços começou a me explicar o que havia acontecido.
-Eu te disse que ele não era boa pessoa.
-Não, você disse "ontem você estava chateada pela morte do Justin e hoje já está transando com um desconhecido." Isso não é um ele não é uma boa pessoa.
 Ri sem graça. Por que raios eu tinha dito aquilo?
-Podemos só esquecer isso?
-Se eu chegasse aqui pedindo sua ajuda e não tivesse te perdoado seria cara de pau, não acha?
-Talvez.- Ficamos nos olhando por um tempo. 
-Tá muito frio aqui não acha?
-Eu estava de cobertor.
Ela olhou para os lados.
-Ah, provavelmente estraguei sua noite de sexta.
-Pra ser sincero não. Eu só ia deitar para ver um filme.
-Ah sim.-O silêncio pairou pela sala por alguns poucos segundos- Acho melhor eu ir para casa.
-Não!-Pareceu mais um grito, o que a fez se assustar.- Quer dizer, está chovendo muito, você sabe que não gosto de dirigir quando está chovendo muito.
-Sim, mas eu posso chamar um táxi.
-Você não entendeu. Eu quero que você fique.
 Ela arregalou os olhos e ficou me olhando por um tempo. Por que eu nunca sei o que falar? A resposta demorou a vir, o que fez com que eu sentisse meu rosto esquentar. Não sabia mais o que fazer ou para onde olhar quando ela finalmente respondeu:
-Sorte que eu também quero ficar.
 Demos um sorriso meio desconcertado ao mesmo tempo. Disse que subiria para pegar umas roupas minhas para ela vestir e assim o fiz. Quando ela finalmente tomou banho e se arrumou, chegou a sala com um par de meias, uma cueca minha, um moletom e o pente nas mãos. Por seu cabelo ser muito grande e ela aparentar dificuldade com os nós achei gentil perguntar.
-Quer ajuda para pentear os cabelos?
 Ela, que estava com a cabeça abaixada com sinal de confusão quanto a si mesma abriu um sorriso.
-Eu adoraria.


"Esse é meu garoto"

MABEL's POV

 Não sei o porquê, mas quando vi Niall daquele jeito me deu vontade de abraçá-lo. Ele estava só de cueca preta, o que me deixou... Digamos... Animada, além de estar muito branco e com as bochechas rosadas. Quando ele disse que queria que eu dormisse lá- e ele fez questão de deixar claro que me queria lá- apenas assenti, anestesiada pelo modo como seus olhos olharam profundamente nos meus.
-Está doendo?- Ele perguntou enquanto penteava meus cabelos.
-Não. Justin fazia a mesma coisa. Penteava meus cabelos. Todas as vezes que os penteiam lembro-me dele.
 Um silêncio ensurdecedor se instalou durante alguns minutos. Mesmo sem olhar para seu rosto sabia que ele estava de olhos fechados. Ele os fechava sempre que sentia saudades de algo, e se tinha alguma coisa que ele desejava que estivesse ali, essa coisa, ou melhor, pessoa, era Justin.
-Como você está?-Disse ele quebrando o gelo-Digo, em relação a Justin?
-Bem. Quando estava com David me sentia melhor, mas agora não sei, parece que o buraco só aumentou.- Eu virei a cabeça para ele, fazendo-o parar com meus cabelos.
 Parecia que ele ia dizer algo quando percebeu que não devia, e fechou a boca que tivera aberto. Entortou a cabeça para o lado fitando o nada e pensando em algo. Ele não mudou em nada desde a adolescência. De repente, seu rosto pareceu se iluminar e ele franziu a testa, com um ar de questionamento.
-Isso me lembra uma coisa: por que não estamos falando mal de David?
 Olhei para ele e abri um sorriso, e ele fez o mesmo ao perceber que eu havia capitado a ideia.
-Noite dos amigos?-Ele perguntou
-Noite dos amigos!- Afirmei com a cabeça.
 20 minutos depois lá estávamos nós, com um balde de pipoca e uma panela de brigadeiro, assistindo a um filme de terror. 
 Desde quando nos conhecemos fazíamos todas as sextas feiras uma noite dos amigos. Não era noite dos meninos porque tínhamos eu e Jude, e também não era noite das meninas por causa de Niall.
-Estava com saudades da NDA!
-Você parece um gay falando assim!-Ele fez uma cara de ofendido e jogou pipoca em mim, sorrindo em seguida.-Jude nos mataria se soubesse que estamos fazendo isso sem ela.
-Mas ela não vai saber, vai?- Fiz que não com a cabeça, com cara de criança danada.- Tem quanto tempo? 3 anos?
-4. 4 anos sem NDA. Lembra que a tia Maura não gostava porque dizia que você se tornaria feminino?
-Minha mãe nunca foi muito normal.- Fez cara de sério, mas então sorriu.- Nem eu!
 Rimos por um tempo e começamos a conversar sobre tudo o que nos vinha acontecendo. David, Camila, Justin, trabalho, as fãs dele, como me sentia enquanto estava sozinha e outras coisas mais. 
- A pipoca acabou!- Disse ele fazendo beicinho.
- Se você não tivesse comido tudo! Seu guloso!- Ele deu língua e sorrimos em seguida.
 Era muito estranho aquilo que estava acontecendo. Eu acabara de ser chutada pelo meu "namorado" e estava sorrindo na casa do meu melhor amigo como se nada tivesse acontecido. Depois de um tempo conversando um pouco mais, decidimos ver o filme e me encostei em seu ombro.
-Obrigada-sussurrei
-Pelo que?
-Por estar aqui comigo.
 Me olhei para olhá-lo e ele fez o mesmo. O azul de seus olhos entrou nos meus e me senti perdida, como se nada mais estivesse ali. Me senti totalmente solta no ar, como se a gravidade não pudesse mais me prender ao planeta. Sem perceber nossos rostos foram se aproximando mais e mais e quando dei por mim, era tarde de mais. Nossos lábios haviam se tocado.

"Até que enfim!"

NIALL's POV

 Estávamos na sala quando um clima rolou entre nós. Quando me dei conta do que estava acontecendo senti um vento passar por minha espinha. Nossas línguas se tocavam em perfeita harmonia, como se quisessem se transformar em uma só. Eu, que estava sentado de frente para a TV me virei, ficando totalmente de frente para ela, e ela se endireitou. Tomei seu rosto em minhas mãos e ela passou os braços por minha cintura, trazendo-me para mais perto de si. O beijo que antes era lento e calmo foi se transformando em algo feroz, denunciando que nós dois queríamos aquilo. Trouxe-a para mais perto- se é que era possível- e ela passou os braços por meu pescoço, me fazendo arrepiar. Puxei seu cabelo um pouca para traz e pude senti-la gemer sobre meus lábios. Sua boca era doce, seu beijo gentil e o momento tinha gosto, gosto de algo que se anceia uma vida toda e que um dia se consegue. Aquele momento tinha cheiro, cheiro de vitória por algo que eu sempre desejei, e que agora estava junto a mim, quase nos fundindo em um só.
  Coloquei meus braços em volta de sua cintura e fiz carinhos sobre o moletom. Fomos ficando sem fôlego rapidamente, e quando percebemos que não mais daria, afastamos nossos lábios, ficando unidos apenas pela testa. 
 Eu puxava ar mas era como se meus pulmões estivessem incapacitados de exercer tal tarefa. Senti que ela fazia o mesmo.
- O que foi isso?- Ela perguntou com a voz falha pela falta de ar.
-Algo que esperava a anos para fazer.
 Nem mesmo pensamos em continuar nossa conversa, juntamos nossa boca novamente como se fosse algo indiscutível e voltamos a nos beijar. Dessa vez o beijo não foi leve, e sim pesado como uma rocha. Ela sugava meus lábios com ferocidade e eu tentava fazer o mesmo. Depois de algum tempo daquele jeito passei meus braços por sua cintura, fazendo-a se sentar por cima de mim. Comecei a tirar seu moletom e apenas paramos o beijo para arrancar a peça pela sua cabeça. Nos olhamos por alguns segundos, e os olhos castanhos dela encararam os meus profundamente antes de sua boca retornar para a minha. Ela estava sem sutiã, o que me fez ganhar algum tempo extra com seus seios. Os apertava com suavidade, sem perder a concentração que aquele beijo necessitava. Parei com os beijos na boca e fui descendo até seu pescoço. Ela o jogou para frente mostrando como aquilo a fazia bem enquanto ela arranhava meus ombros. 
 DING-DONG!
 O som da campainha ecoou por todo o apartamento, fazendo com que nos olhássemos assustados. Ela revirou os olhos e eu joguei minha cabeça para traz, com ar de desaprovação.
-Vou lá pra cima.-Ela sussurrou em meu ouvido.
 Fiz que sim com a cabeça e ela se levantou, pegando o moletom do outro lado da sala e cobrindo os seios, subindo as escadas de pressa. 
 A campainha tocou mais uma vez. 
-Pode ser Deus batendo a minha porta, mas juro que dou-lhe umas palmadas.- Disse para mim mesmo. 

CONTINUA...

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